Doença do Refluxo (DRGE): sintomas, diagnóstico e quando a cirurgia é indicada

zia, queimação, regurgitação e sensação de “voltar comida” são sintomas comuns da doença do refluxo gastroesofágico (DRGE). Em muitos casos, o controle é feito com mudanças de hábitos e medicamentos. Em outros, a cirurgia pode ser a melhor estratégia para controle duradouro, especialmente quando há hérnia de hiato, complicações ou falha do tratamento clínico.

Nesta página você vai entender o que é refluxo, quais sintomas merecem investigação, como confirmamos o diagnóstico e como é o tratamento, incluindo a cirurgia minimamente invasiva quando indicada.

 ✅ Avaliação especializada em esôfago e refluxo
✅ Tratamento clínico e cirúrgico com planejamento individual
✅ Cirurgia minimamente invasiva (videolaparoscopia e, em casos selecionados, robótica)

O que é a Doença do Refluxo (DRGE)?

O refluxo acontece quando o conteúdo do estômago retorna para o esôfago. Isso ocorre, principalmente, por falha do mecanismo de barreira na transição esôfago-estômago.

Quando o refluxo passa a causar sintomas frequentes, inflamação ou complicações, chamamos de Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE).

Quais são os sintomas mais comuns?

Sintomas esofágicos

  • Azia/queimação no peito ou “boca do estômago”

  • Regurgitação (sensação de ácido ou alimento voltando)

  • Entalo (alimento “entalado”)

Sintomas que podem ocorrer (extraesofágicos)

  • Tosse crônica, pigarro, rouquidão

  • Sensação de “bolo ou nó na garganta”

  • Mau hálito

  • Dor torácica não cardíaca (sempre exige avaliação adequada)

Sinais de alerta (procure avaliação sem demora)

  • Dificuldade para engolir (disfagia) ou piora progressiva

  • Perda de peso sem explicação

  • Vômitos persistentes

  • Sangramento (vômito com sangue, fezes escurecidas)

  • Anemia

Por que algumas pessoas têm refluxo?

Os fatores mais comuns incluem:

  • Hérnia de hiato

  • Excesso de peso e aumento de pressão abdominal

  • Refeições volumosas e gordura em excesso

  • Álcool e tabagismo

  • Deitar logo após comer

  • Alguns medicamentos (dependendo do caso)

Em muitas pessoas, é uma combinação de fatores, por isso o tratamento é individualizado.

Como confirmamos o diagnóstico?

O diagnóstico da doença do refluxo NÃO é dado apenas pelos sintomas. Há a necessidade da realização de exames, como:

  • Endoscopia digestiva alta.

  • pHmetria (com ou sem impedanciometria).

  • Manometria esofágica.

  • Exames de imagem quando há suspeita de hérnia de hiato relevante (conforme caso).

Quais são as opções de tratamento?

1) Mudanças de hábitos (base do tratamento)

  • Evitar deitar por 2–3 horas após comer

  • Evitar fazer refeições volumosas.

  • Afastar os alimentos que pioram sintomas (varia de pessoa para pessoa)

  • Perder peso quando indicado

  • Elevar cabeceira da cama (se tiver sintomas deitado(a))

  • Evitar tabagismo

2) Tratamento medicamentoso

Geralmente com medicamentos que reduzem a acidez, por tempo e dose definidos conforme quadro.

3) Tratamento cirúrgico (quando indicado)

A cirurgia é considerada quando:

  • falha do tratamento clínico (sintomas persistentes apesar de estratégia adequada)

  • hérnia de hiato relevante associada

  • há complicações (como esofagite grave, estenose, Barrett em contextos selecionados)

  • o paciente tem boa indicação e busca uma solução com foco em controle a longo prazo

  • há necessidade de reduzir dependência de medicação com critério e indicação correta

Quando a cirurgia do refluxo é indicada?

A cirurgia não é “para todo mundo com azia”. Ela é indicada quando existe evidência de refluxo e benefício esperado.

Em geral, costuma ser indicada quando:

  • refluxo comprovado e sintomas importantes recorrentes

  • uso crônico de medicação com controle insuficiente ou efeitos colaterais

  • hérnia de hiato associada com repercussão

  • regurgitação importante (muitas vezes responde melhor à cirurgia do que somente remédio)

A decisão deve ser tomada após avaliação cuidadosa e, em muitos casos, com exames funcionais (pHmetria/manometria) para aumentar segurança e precisão da indicação.

Como é a cirurgia do refluxo?

A cirurgia mais comum é a correção da hérnia de hiato (quando presente) e a construção de um mecanismo antirrefluxo, uma válvula utilizando o estômago. 

Na maioria das situações é feita com pequenos cortes usando a cirurgia robótica e a videolaparoscopia.

O que é feito, em termos simples

  • Reposicionamento do estômago (quando há hérnia)

  • Reforço do hiato (abertura do diafragma)

  • Criação de um mecanismo antirrefluxo adequado ao seu perfil e ao funcionamento do esôfago

O objetivo é reduzir regurgitação e azia com estratégia anatômica e funcional.

Preparação para a cirurgia (checklist)

  • Informar todas as medicações, especialmente anticoagulantes/antiagregantes

  • Avaliação anestésica e exames laboratoriais

  • Revisão de exames do refluxo (endoscopia e, pHmetria/manometria)

  • Jejum conforme orientação

  • Planejamento dietético do pós-operatório

Internação e recuperação: o que esperar

A recuperação varia conforme caso e técnica, mas em geral:

  • Internação: frequentemente 24–48 horas (pode variar)

  • Alimentação: dieta progressiva por fases (líquida/pastosa/normal conforme protocolo)

  • Retorno às atividades leves: em poucos dias, com orientação individual

  • Esforços e academia: liberação progressiva em semanas, conforme evolução

É comum e normal, nas primeiras semanas:

  • sensação de estufamento

  • adaptação alimentar

  • orientação para mastigar bem e comer porções menores

Riscos e como reduzimos complicações

Toda cirurgia tem riscos, e a segurança aumenta com indicação correta, técnica adequada e preparo completo.

O que aumenta a segurança

  • confirmação diagnóstica adequada

  • escolha do tipo de técnica antirrefluxo conforme exame e função do esôfago

  • experiência da equipe e protocolos

  • seguimento no pós-operatório com orientações claras

Perguntas frequentes (FAQ)

1) Refluxo tem cura?
Muitos casos têm excelente controle com hábitos/medicação. Em quadros com indicação, a cirurgia pode oferecer controle mais duradouro, mas o resultado depende do perfil e da indicação correta.

2) Vou parar de tomar remédio após a cirurgia?
Muitos pacientes reduzem ou suspendem, mas isso é individual e depende do quadro e do seguimento.

3) Hérnia de hiato sempre precisa operar?
Não. Depende do tamanho, sintomas e repercussão. A indicação é feita caso a caso.

4) A cirurgia é dolorosa?
Por ser minimamente invasiva na maioria dos casos, a recuperação tende a confortável, com pouca dor.

5) Vou conseguir arrotar ou vomitar depois?
Alguns pacientes percebem mudanças, especialmente no início. Há adaptação e isso é discutido previamente na consulta.

6) E se o refluxo voltar?
Pode ocorrer em alguns casos ao longo do tempo. Seguimento, hábitos e avaliação individual ajudam a manter controle.

7) Posso fazer academia depois?
Sim, com liberação gradual e por etapas, conforme cicatrização e evolução.

8) Tosse e rouquidão podem ser refluxo?
Podem, mas nem sempre. Precisam avaliação para evitar diagnóstico errado.

Quer saber se o seu refluxo tem indicação de cirurgia?

O passo certo é uma avaliação completa para entender:

  • se o refluxo está comprovado,

  • se há hérnia de hiato,

qual tratamento traz o melhor equilíbrio entre benefício e segurança para você.

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Filipe é Cirurgião do Aparelho Digestivo e Mestre em Cirurgia pela Escola Paulista de Medicina/UNIFESP, especialista em tecnologia cirúrgica e procedimentos minimamente invasivos. Autor de estudos publicados em revistas internacionais e apresentações nos maiores Congressos mundiais de sua área.