Acalásia: dificuldade para engolir (disfagia), diagnóstico e opções de tratamento

A acalásia é uma doença do esôfago que pode causar dificuldade para engolir, sensação de alimento “parando”, regurgitação e, em alguns casos, perda de peso. Muitas pessoas passam meses (ou anos) tratando como “refluxo” ou outras causas, antes do diagnóstico correto.

Nesta página você vai entender o que é acalásia, quais sintomas sugerem o problema, quais exames confirmam, e quais são as opções de tratamento — incluindo procedimentos minimamente invasivos quando indicados.

 ✅ Avaliação especializada do esôfago e distúrbios de motilidade
✅ Diagnóstico com exames funcionais quando necessário
✅ Tratamento planejado com foco em segurança e qualidade de vida

O que é acalásia?

Acalásia é um distúrbio em que o esôfago perde parte da sua capacidade de empurrar o alimento para o estômago e, ao mesmo tempo, a “válvula” de entrada do estômago (o esfíncter esofágico inferior) não relaxa adequadamente.

Na prática, isso faz com que:

  • o alimento e líquidos tenham dificuldade para passar,
  • o esôfago possa dilatar com o tempo,
  • ocorram regurgitação e sintomas respiratórios em alguns pacientes.

Quais são os sintomas mais comuns?

Sintomas típicos

  • Dificuldade para engolir (disfagia) para sólidos e líquidos (muitas vezes desde cedo)
  • Sensação de “entupimento” ou alimento parado no peito
  • Regurgitação de alimentos, especialmente à noite
  • Dor/pressão no peito (não cardíaca)
  • Tosse noturna, engasgos, pigarro (por regurgitação/aspiração)
  • Perda de peso (em alguns casos)

Sinais de alerta (avaliar sem demora)

  • Disfagia progressiva (piorando com o tempo)
  • Perda de peso importante
  • Pneumonias de repetição / engasgos frequentes
  • Sintomas intensos noturnos

Importante: dificuldade para engolir não deve ser normalizada. Sempre merece investigação para diferenciar acalásia de outras doenças do esôfago.

Acalásia é refluxo?

Não. Acalásia e refluxo são doenças diferentes.

  • No refluxo, a barreira falha e o ácido volta para o esôfago.
  • Na acalásia, o problema é principalmente mecânico/funcional, com dificuldade de passagem e relaxamento inadequado da “válvula”.

Alguns pacientes com acalásia podem sentir queimação, mas isso pode ocorrer por fermentação e retenção de alimentos, e não necessariamente por ácido. Por isso o diagnóstico correto é fundamental.

Por que a acalásia acontece?

Na maioria dos casos, a acalásia envolve alteração dos nervos que coordenam os movimentos do esôfago e o relaxamento do esfíncter. Existe também uma condição semelhante chamada “pseudoacalásia” (mais rara), que precisa ser descartada — especialmente em casos de início recente e perda de peso importante.

Como confirmamos o diagnóstico?

O diagnóstico é feito combinando sintomas + exames. Os principais são:

1) Endoscopia digestiva alta

Ajuda a:

  • avaliar o esôfago
  • descartar outras causas de disfagia
  • observar retenção de alimentos e resistência na passagem, quando presentes

2) Manometria esofágica (exame-chave)

É o exame mais importante para confirmar acalásia e definir o tipo (classificação funcional), o que ajuda no planejamento do tratamento.

3) Esofagograma (RX contrastado)

Mostra o padrão de esvaziamento e dilatação do esôfago e pode sugerir acalásia de forma bem característica.

Quais são as opções de tratamento?

O objetivo do tratamento é facilitar a passagem do alimento, reduzindo a pressão/resistência na junção esôfago-estômago. Como a acalásia é um problema funcional, o tratamento geralmente é “desobstrutivo” da região.

As opções incluem:

1) Dilatação pneumática endoscópica (em casos selecionados)

Pode melhorar sintomas em alguns pacientes, podendo exigir sessões e acompanhamento.

2) Tratamento cirúrgico (padrão-ouro)

A principal opção de tratamento ainda é a miotomia cirúrgica, que consiste em “cortar” parte das fibras musculares que impedem a passagem, para aliviar a resistência.

Pode ser realizada por técnica minimamente invasiva (ex.: laparoscopia/robótica) com planejamento individual. Associa-se um mecanismo antirrefluxo para reduzir chance de refluxo após o procedimento, conforme avaliação.

3) POEM (miotomia endoscópica) — em contextos específicos

Procedimento endoscópico realizado em centros com experiência, indicado em casos selecionados conforme tipo de acalásia e perfil do paciente.

A melhor técnica depende do tipo de acalásia, sintomas, exames, idade, risco cirúrgico e disponibilidade/experiência do serviço.

Como é a cirurgia?

A cirurgia busca:

  • aliviar o bloqueio funcional na junção esôfago-estômago
  • permitir que o alimento passe com menos resistência
  • reduzir sintomas e regurgitação

É feita por cirurgia robótica ou laparoscopia, com pequenos cortes.

Preparação para o tratamento (checklist)

  • Revisão completa dos exames: endoscopia, manometria, esofagograma
  • Avaliação clínica e anestésica 
  • Orientações alimentares prévias
  • Ajuste de medicações conforme orientação
  • Planejamento do pós-operatório (dieta por fases)

Internação e recuperação: o que esperar

A recuperação depende do tipo de tratamento escolhido.

Em geral, após procedimentos desobstrutivos:

  • dieta costuma ser progressiva por fases (líquida → pastosa → normal, conforme protocolo)
  • retorno gradual às atividades, com orientação
  • acompanhamento para avaliar melhora da disfagia

Internação: varia conforme técnica e evolução clínica.

O ponto principal é: recuperar com segurança, mantendo boa hidratação, nutrição e reintrodução alimentar guiada.

Perguntas frequentes (FAQ)

1) Acalásia tem cura?
Não. Tem controle. O objetivo do tratamento é controlar sintomas e melhorar a passagem dos alimentos. Em muitos casos, há melhora importante e duradoura, mas é uma doença que exige acompanhamento.

2) Por que eu achava que era refluxo?
Porque pode haver queimação e desconforto. Mas a causa e o tratamento são diferentes; a manometria ajuda a esclarecer.

3) A manometria é realmente necessária?
Sim. Ela é o exame-chave para confirmar acalásia e orientar a melhor técnica.

4) Vou voltar a comer normal depois do tratamento?
Muitos pacientes melhoram bastante. A recuperação é por etapas e a dieta progride conforme orientação.

5) Pode dar refluxo depois?
Pode ocorrer em alguns casos após tratamentos desobstrutivos. Por isso, o planejamento e o seguimento são importantes.

6) Dilatação resolve para sempre?
Pode ajudar alguns pacientes, mas pode exigir repetição e acompanhamento. A melhor opção depende do seu tipo de acalásia e perfil.

7) POEM é melhor do que cirurgia?
Não. Dependendo do tipo de acalásia e experiência do centro pode ser uma boa opção.

8) Perdi peso. Isso é comum?
Pode acontecer, principalmente em quadros mais prolongados. Com tratamento adequado, a nutrição tende a melhorar.

9) Acalásia pode virar câncer?
O risco pode ser maior do que o da população geral em casos de longa duração, e o acompanhamento é importante. O plano de seguimento é individual.

10) O que eu faço enquanto aguardo consulta/exames?
Orientações alimentares simples (porções menores, mastigar bem, adaptar consistência) podem ajudar, mas não substituem investigação adequada.

Precisa confirmar se seus sintomas são acalásia?

Se você tem dificuldade para engolir, regurgitação e sensação de alimento parando, o passo certo é uma avaliação completa com exames adequados para definir o diagnóstico e o melhor tratamento.

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Filipe é Cirurgião do Aparelho Digestivo e Mestre em Cirurgia pela Escola Paulista de Medicina/UNIFESP, especialista em tecnologia cirúrgica e procedimentos minimamente invasivos. Autor de estudos publicados em revistas internacionais e apresentações nos maiores Congressos mundiais de sua área.